Havana se move


Vai de ônibus chinês zerado ou banheira americana velha?

De dia, muita coisa mudou de figura pra mim em Havana. Antes de ganhar as ruas, ainda em uma galeria térrea do Hotel Sevilla encontrei uma loja da sport-fashion Puma e defronte uma locadora de carros onde você pode escolher se quer dar um rolé na ilha num carro francês último tipo ou num desses modelos qualquer coreanos com mais ou menos luxo.

É claro que é muito mais interessante se deslocar em Havana a bordo de um Cocotaxi – amor à primeira vista de Laurinha. Esse transporte é uma espécie de orelhão gigante montado em cima de uma motoneta. Nessa nave vão três pessoas incluindo o condutor, que tem direito ao único capacete, o qual só protege mesmo a consciência dele, já que é um daqueles tipos de isopor usados pelos ciclistas. No trânsito, os Cocos disputam de igual pra igual com todos os outros veículos, principalmente com as velhas banheiras, que também se oferecem como táxi para os turistas mais descolados. Os novíssimos ônibus articulados chineses aposentaram na capital um outro meio de transporte coletivo, que na verdade era uma carreta puxando um vagão que fazia as vezes de busão. Só vi essas tosqueiras em Matanzas, província vizinha de Havana.

Cocotaxi. Solução simples, barata e eficiente

Voltando a falar das banheiras cinqüentonas e teimosas, notei que a razão de elas terem sobrevivido todo esse tempo nas ruas de Cuba não se deve apenas ao fato do embargo americano e conseqüente falta de alternativa de transporte para o país. Os soviéticos enviaram para a Ilha milhares e milhares de Ladas durante o período que apadrinharam o regime de Fidel. E hoje a frota oficial se recompõe aos poucos com veículos do resto do mundo-não-imperialista-americano. Mas nenhum desses carros têm o simbolismo das banheiras americanas. Até hoje, mesmo com a alma de motor a diesel, elas são troféus ambulantes. São um dos marcos daquele dia em que os magnatas locais e gângsters e playboys americanos que se refastelavam em Cuba tiveram que sair correndo com as calças nas mãos deixando tudo pra trás. Até mesmo os seus reluzentes Cadillacs. E não podia ser diferente. Nem agora, nem naquela época, havia uma ponte no Estreito da Flórida ligando Havana a Miami. Não custa sonhar com o dia em que possamos ver coisa semelhante acontecendo em Alagoas. Taturanas e gabirus escorraçados fugindo para um rumo distante e o povão se apropriando e fazendo circular as Pajeros Full nas ruas do Biu, Jaça ou Grêice, por anos e anos, passando-as de pai pra filho.

Museu automobilístico a céu aberto

1 COMENTE AQUI:

Matheus disse...

Putz Leo, tu falando do "Cocotaxi" eu imaginei sendo aqueles táxis que tem em Cucuta na Índia, ou em algum desses países asiáticos, no qual a higiene é deplorável.. kkk
mas até que é um táxi arrumado!

Abraço!

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