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Maceió em miniatura

Maceió tem muitos encantos, mas não é uma cidade que se pode usar como exemplo quando se fala de planejamento urbano. Há mais de 20 anos, quando eu entrei na faculdade de arquitetura e urbanismo já se falava de todos os problemas que a cidade ia enfrentar nos anos seguintes. E eles aconteceram e pouco se ouviu o que os urbanistas tinham pra falar.

E se você pudesse projetar e ver como ia ficar sua cidade antes dela se transformar em realidade? Essa é a proposta desse post. Uma brincadeira visual com Maceió, com vários dos pontos conhecidos transformados em maquetes.

A técnica usada nesse ensaio é um efeito visual chamado tilt-shift. Surgiu no mundo da fotografia quando a Canon lançou lentes em 1973 que rotacionavam e se deslocavam sobre o eixo do filme (agora, dos sensores), provocando uma distorção nas imagens, focando apenas uma região do quadro. O resultado eram fotos em que os cenários pareciam miniaturizados. Hoje se pode chegar a algo parecido via programas de edição de imagens.

[Clique nas imagens para vê-las ampliadas e aproveitar melhor a experiência]


Ponta Verde



Estádio Rei Pelé


Praia da Pajuçara


Praia do Saco


Conjunto Zé Tenório


Maceió Shopping


Jacintinho


Campus Tamandaré (Detran)


Praia do Francês


Condomínio Aldebaran


Vila Brejal

De longe, tudo parece perfeito

De repente, tudo que a gente precisa é enxergar as coisas de uma outra perspectiva. Vendo de longe, dá pra voltar a pensar na nossa Alagoas como um paraíso. É essa a sensação que eu acredito que muita gente vai ter ao ver a seqüência de fotos nessa postagem.


Alagoas - Lagoa Mundaú e Massagüeira



Alagoas -Pontinha da Praia do Gunga, Lagoa do Roteiro e Barra de S.Miguel


De lá de cima dá pra imaginar como era isso aqui sem a intervenção desumana. E é de se admirar a teimosia e resistência desse estado. Por mais que sucessivamente continue se criando aqui alguns dos piores espécimes de brasileiros, que invariavelmente vão desembocar na política e maltratá-la com requintes de perversidade, Alagoas ainda tem essa cara simpática que vocês podem ver aí.

Alagoas -Praia do Francês


Maceió - Ponta Verde
Maceió - Ponta Verde e Jatiúca
Praia de Paripueira
Praia de Sonho Verde
Barra de Santo Antônio - Ilha da Croa
São Miguel dos Milagres
Porto de Pedras
Pontal do Boqueirão
Porto de Pedras

Os portais para o passado


Salão Vitória em Maceió. Mas poderia ser em Havana

Em Maceió, no bairro da Levada, existe uma barbearia chamada Salão Vitória. Cresci indo pelo menos uma vez a cada dois meses lá com meu pai cortar o cabelo. Sempre fiquei admirado como os anos se passavam e as coisas não mudavam ali. Creio que o proprietário, Seu Edinho, deva ter aberto o negocio ainda na década de 60. Depois disso, imagino que ele acrescentou às instalações do lugar apenas um pôster da seleção brasileira de 70, depois do Tri no México. Mais de 30 anos depois, volto lá no Vitória e compartilho com o meu amigo Carlos Nealdo a mesma sensação: ao entrarmos naquela barbearia, parecia que estávamos transpondo um portal pra o passado. Tudo parecia ter parado no tempo. O mobiliário era exatamente o mesmo, o inanimado e o vivo. Lá estavam Seu Edinho e alguns dos barbeiros de décadas atrás. Em um dos bancos de espera, a mesma pasta com modelos de corte de cabelo masculino tirados de recortes das revistas Cruzeiro ou Manchete, extintas há dezenas de anos.

Entrei em Havana de madrugada. As sombras e a parca iluminação não deixaram ver as marcas da deterioração. O cenário que estava sendo percorrido naquela atmosfera me deu a sensação de estar transpondo novamente um outro portal pra o passado. Só que dessa vez a dimensão era muito maior. Entendam que cidades antigas existem no resto do mundo, muitas mais velhas que Havana, mas em quais delas ainda estão em atividade cotidiana carrões com mais de cinqüenta anos? E dentro daqueles prédios, quando uma porta ou outra estava aberta, dava pra ver que seu miolos eram recheados de relíquias, tais quais as da barbearia do Seu Edinho.

Laura no Hotel Sevilla

O primeiro ‘amigo’ cubano -o motorista do microônibus chinês- me largou com Laura no hotel e sumiu no meio do breu. Escolhi ficar no Sevilla, localizado no bairro de Centro Habana, perto do que é mais antigo na cidade. Esse hotel foi inaugurado há exatamente um século e está primorosamente restaurado e conservado. Antes de subirmos pro nosso quarto ainda deu pra ver numa exposição no lobby que entre alguns dos hóspedes famosos, esteve lá nada menos que Al Capone. O mafioso na década de 30 havia tomado todo o sexto andar do hotel pra se hospedar junto com seus asseclas. Em outro quadro fiquei sabendo que quando estourou a revolução socialista, o então dono do hotel, um outro obscuro mafioso de origem uruguaia fugiu e não ficou pra ver quando as massas populares invadiram suas instalações pra promover um quebra-quebra na área onde ficava um cassino. Dias depois, Fidel em pessoa veio até o Sevilla pra dar a sua bênção aos funcionários do hotel que resolveram tomar conta do estabelecimento em cooperativa. Socialismo de resultados. Depois da aula de história expressa, fui dormir ainda com a sensação do portal.